Conversando outro dia com algumas amigas dentro d'água, comecei a recordar a época em que eu costumava cair em São Conrado sozinha. Lembro-me que quando comecei, no final de 2000, era coisa rara encontrar uma menina lá em São Conrado.
Sempre cheguei muito cedo na praia, é verdade. Mas mesmo nos horários em que eu não estava lá, sabia que a praia não era frequentada por muitas bodyboarders.
Por Renata Cavalleiro
Carol, Akemi, Dani, Renata e Samantha| Foto: Julio Cavalleiro
Sempre perguntava pra galera da Rocinha, os mais locais do pico, se não havia mais meninas por lá, e realmente eram poucas. E eu sentia falta, pois como eu estava aprendendo, ficava sem muitos parâmetros. Será que estou indo bem? Será que é normal ter medo quando o mar está mais cabuloso? Será que minhas manobras estão demorando a evoluir? .

Luciana Figueiredo sem dó nem piedade| Foto: Ricardo Indio
Mas aos poucos isso foi mudando. No primeiro campeonato em que participei, já em 2002, várias meninas que conheci ficaram espantadas quando eu falei que era local de São Conrado.

Renata Cavalleiro: quase diariamente em SC| Foto: Julio Cavalleiro
Durante muito tempo continuei caindo sozinha no temido pico, mas conhecendo mais as meninas, fui fazendo com que sempre uma ou outra me acompanhasse. Ligava pra elas de madrugada, muitas vezes dava carona, e lá estávamos cedinho. Mar liso, crowd zero, ondas perfeitinhas, e os sorrisos começaram a aparecer. São Conrado começava a ficar florida. Os meninos, lógico, gostaram muito, e sempre vinham perguntar "Quem é essa? É sua amiga?".
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Ondas mais "buraco", como dizem, são domadas aos poucos pelas garotas bodyboarders que se aventuram por lá diariamente e vão aperfeiçoando seu estilo de surfar. Hoje são dezenas de garotas que vão cair no canto esquerdo. Seja cedinho, durante o dia, ou final de tarde.
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