Pérola de Souza - PR (OUT/2005)

Pérola desde pequena convive com o mar. Com 14 anos foi assistir a um campeonato de "Morey Boogie", na praia do Grajaú, achando que seria um campeonato com corrida de Jipes, Boogies, etc. Ledo engano. Esse seria o primeiro dia em que pegaria uma prancha emprestada e a partir disso... não parar jamais.



A poderosa onda em Pipe Line | Foto: Rick Verneck

Pérola, como foi que você começou a competir no BB?
Comecei a competir com 18 anos pois foi quando minha mãe me liberou para descer sozinha para praia. Só surfava na temporada, e demorei muito para aprender. Mas como eu amava muito consegui evoluir.

Quais suas maiores motivações?
Hoje minha maior motivação é o meu namorado, o Giovane, que tem um futuro lindo no bb. Surfar com ele me ajuda muito e ele me fez acreditar que eu podia ir mais longe. Quando comecei a pensar que já estava na hora de parar, ele me pilhou. Comecei até a acertar ARS, coisa que eu pensei ser impossível para mim. Viajando com ele, comecei a me dar melhor nos campeonatos. Tenho feito 90% dos pódiuns das competições que venho participando e sou a atual campeã paranaense. A presença dele e poder treinar com meus alunos, estão me fazendo muito bem. Me sinto cada dia mais jovem e cada dia mais capaz de vencer. E o melhor, estou levando uma geração enorme comigo. Amigos dentro do bb, como Elmo, Gordinhos, Xandão, Márcio Torres, Fano, Davi Pimentel e principalmente o Sanderson também não me deixam desistir quando vejo as suas lutas.


Pérola entre seus alunos campeões | Foto: Rossana
 

Fale um pouco sobre a sua Escola.
Minha escola começou em Floripa, bem pouquinho tempo porque logo que eu me separei, fui para o Hawaii e depois vim embora de volta para o Paraná. Tava esperando mais um filho do meu ex-marido e então decidi que meu lar Curitibano seria um porto seguro para minha pequena tropa. Aí, comecei a montar projetos de aulões pelo litoral paranaense. Contatei as prefeituras e fiz aulões em Guaratuba, Matinhos e Ipanema. Foi um sucesso porque eu coloquei os aulões de Yoga e palestras com os principais juízes do Paraná. Sou professora de Yoga há alguns anos e isto me ajudou muito no projeto, pois melhorei muito o condicionamente físico de muitos atletas, até mesmo profissionais aqui no Pr. Pessoas como Sanderson, Francis Aoto, Lorraine e Maria Alice sempre participaram dos meus aulões e isto enriqueceu muito o projeto.

Em 2003 fixei a escola em Ipanema e montamos uma equipe de competição. Conseguimos vários apoiadores para viajarmos com a equipe para o Paranaense e até mesmo o Brasileiro. O resultado foi fantástico: Giovane Ferreira liderou o brasileiro mirim todinho e foi o vice-campeão no final do circuito, Lucas Martins foi ao podium na primeira etapa em Campos, com a 4ª colocação. Vários pódiuns no catarinense, sul-brasileiro e 8 pódiuns tanto nas etapas quanto no Circuito paranaense. Era até engraçado, mas a gente olhava o Ranking para grifar os nomes para o nosso mural e quase todo mundo era da escola. Este ano, mudou o prefeito e as coisas estão mais difíceis. Hoje só tenho o Giovane nos representando no brasileiro amador (5º lugar no Ranking) e alguns atletas no paranaense. Então decidimos começar nossa equipe de novo e nosso projeto entra em ação agora em outubro. Montei a ABPPAR (Associação dos bodyboarders Profissionais do Paraná) para viabilizarmos mais recursos para os nossos atletas, nossos eventos e para as escolas que estão surgindo, através do governo.

Quais as maiores dificuldades em seu Estado?
Patrocínio. Aqui é assim: quem não é do ramo não patrocina porque acham que quem deve patrocinar são as marcas e lojas do ramo. As lojas daqui ganham uma grana e só patrocinam festas para os playboys de Curitiba, porque são eles que consomem os produtos. São raros os lojistas que realmente gostam do esporte. Alías, 90% dos donos de loja daqui, não pegam onda, são barrigudos de cerveja e nem sabem pronunciar a palavra bodyboard. Nossos governantes ajudam um pouquinho e as marcas que mais ajudam são geralmente aquelas que estão começando e que só podem ajudar com pouco. Enfim, isto acontece porque o nosso litoral é morto. Só conseguimos coisas para o verão, inclusive atletas. Portanto, só faço o Circuito no verão, mas a equipe continua no inverno. Agora estamos fazendo assim: cada um da equipe dá 20,00 por mês para fazermos uma caixinha e guardar para os custos da próxima competição, para alugar casa, conseguir condução, etc.


Pérola e Fernanda (aluna da escola) comemoram| Foto: Rossana
Melhores recordações e momentos que você tem no esporte.
Melhor recordação pessoal sem dúvida foi o Hawaii. Fiz a temporada em 2001, competi em pipe com 8-10 pés, passei uma bateria e na outra perdi para a Kamala Botha (irmã do André botha). Lembro que eu fiquei chateada de perder, mas ela fez o tubo mais lindo que eu já vi na vida. Tirou 10 unânime, ficou entocada mesmo e numa velocidade incrível.
De noite, encontrei com ela numa festa e virei a cara com raiva. Ela parou na minha frente e colocou uma coroa de flores na minha cabeça com um sorriso. Nunca me senti tão pequena na minha vida, como aquele momento, por causa da minha mesquinharia diante daquela atitude de alguém que realmente merecia aquele 10 e que ainda veio fazer amizade comigo, me dando flores. Foi emocionante e aí eu entendi o que era realmente o bb...mais do que um troféu, um nome no ranking, uma vaidade. O bodyboard passou a ser uma coleção de momentos emocionantes como este...Outro momento emocionante é quando o Gordinho chora quando um atleta dele vence...isso me dá uma energia!

Pessoas que você admira no esporte, e porquê.
Admiro o Gordinho pelo sacrifício pessoal em função do esporte. Neymara lógico...Gosto muito do surf da Soraya, acho que é o mais bonito, o mais fluído. Gosto muito do Edmar e pela dedicação ao bb, apesar da galera falar muito. Admiro a Lorraine porque independente dos problemas que está passando esta conseguindo se dedicar ao esporte e representando bem o Paraná. Admiro também a Suzane de Oliveira que lutou muito pelos títulos que ela tem (é a atleta que mais dá trabalho aqui no Paraná). Sou fã do Sanderson, do Uri, do Erisberto e sou muito fã da Jéssica, principalmente pela pessoa que ela é.
No momento, meu voto de admiração mais forte vai para Isabela Souza. Tudo por causa de uma bateria na Bahia, que ela insistiu num ARS que não vingava e no último minuto ela conseguiu, arrancando o único 10 unânime do campeonato. Ela sabia o que queria e provou que podia. Acho de arrepiar estes momentos de auto-superação...isto é esporte!!

Aulão em Ipanema | Foto: Otubo.com.br

Lugares que você gostou de conhecer e pegar ondas:
Gosto muito do Rio. Tanto das ondas quanto dos lugares. Já tive até vontade de morar lá... não fui por medo da violência. Morei 4 anos em Floripa e pude surfar praticamente todos os picos lá. O que eu mais gostava era a galheta e a Praia do Moçambique. A barca dos sonhos sem dúvida foi o Hawaii. Também surfei e competi em Sintra – Portugal, mas gostei mais das ondas da Espanha. Mas nada como a praia da gente, com a nossa galera...

Seus melhores resultados, conte como foram.
O melhor resultado é sempre o último. Acabei de ganhar a primeira etapa do paranaense e para mim foi muito bom. Eu lutei o ano passado para ser campeã. Mas fiquei muito doente, fiz uma cirurgia de emergência, com muitas complicações onde me sobrou quase um ano de recuperação com uma anemia fora do normal. Eu competia sem forças e quase não agüentava passar a arrebentação num mar de meio metro. Mas fui insistindo porque o bodyboard foi um dos motivos que não me deixou morrer. Então me recuperei e comecei a treinar para valer. O resultado veio e eu consegui vencer. Dediquei minha vitória para a Katherine Mello que hoje também está se recuperando de uma doença séria e se Deus quiser logo ela estará nos pódiuns ao nosso lado. Dentro dos resultados antigos: ano passado fui top 6 PRO do brasileiro, vice-campeã paranaense, e fui campeã máster do circuito catarinense de bb de 2002. No catarinense sempre fiquei em 3º ou 4º no Ranking.

Suas metas para o fim de 2005 e para 2006.
Minha meta é ser campeã paranaense este ano e levar a passagem para Fernando de Noronha... 2006 vou me preparar para a temporada hawaiana de 2007 e pretendo fazer uma viagem para Indonésia e Índia. Não corro mundial porque não posso ficar mais do que um mês longe de casa (2 filhos, 1 mãe, 1 escola de bb e 1 escola de yoga) todos dependem de alguma forma de mim. E pretendo transformar meus alunos em campeões. Ah, quero ficar rica de uma vez por todas...só pra não ter mais que pedir patrocínio!


Vibrando com a vitória no paranaense | Foto: Rossana

Comentários:
Gostaria de pedir para todos aqueles que amam o bodyboard, que façam uma mentalização forte, do fundo do coração, para que apareça um investidor forte para termos um Circuito Profissional Brasileiro a nossa altura. Pedir mais união e menos falação. Pedir para que todos deixem suas vaidades de lado e pensem no esporte!!!