RI! - Quando começou no Bodyboarding, por quê e como foi incentivada ?
VP – Foi em 1986. Tinha um quadro na Globo chamado “A Garota do Fantástico”, onde mostrava toda semana o perfil de uma modelo na praia. Como o bodyboard estava começando a entrar na moda, as modelos sempre posavam segurando uma prancha de bodyboard. Então, eu e minha irmã pedimos a tal da “prancha de morey boogie” para o meu pai, só para ficarmos na moda, nem estávamos pensando muito em surfar. Tudo mudou quando coloquei a Mach 7-7 na água e peguei minhas primeiras marolinhas. Fiquei apaixonada pelo esporte e esse sentimento só aumentou até hoje.
RI! - Sua família te apoiou no começo? E hoje em dia ?
VP – Meus pais já foram atletas e desde cedo investiram e me prepararam para praticar esportes. Eles me ajudaram muito quando eu era atleta profissional de karate e hoje dão o mesmo incentivo para o bodyboard. Tenho um marido maravilhoso que apesar de não ser bodyboarder, me acompanha nos campeonatos fotografando e me ajudando na assessoria de imprensa. Ele torce muito por mim e me apóia totalmente.
RI! - O que é o Bodyboarding para você ?
VP – Faz quase 20 anos que eu sou completamente fissurada pelo bodyboard. É algo que permeia meus pensamentos: estou dirigindo meu carro, lembrando de uma onda irada que eu peguei no final de semana. Estou fazendo qualquer tarefa doméstica e já começo a imaginar umas manobras, lembrar daquele vídeo, daquela queda. O que dizer? Bodyboard é a minha vida. Recentemente, criei coragem e pedi demissão na agência de web design onde eu trabalhava em Curitiba, só para poder morar na praia e surfar todos os dias, algo que eu nunca consegui fazer na vida.
RI! - Como é sua rotina de treinos ?
VP – Fora o bodyboard, faço musculação, wakeboard e ando de skate. Procuro sempre me alongar, acho que o alongamento é muito importante para qualquer esporte. |
RI! - Quais sua manobras preferidas e qual está aprimorando?
VP – Minhas manobras preferidas são o el rollo, o 360º normal para a esquerda e 360º invertido para a direita. Estou treinando aéreo e ARS.
RI! - Você já deve ter viajado bastante... Conte suas trips, e pra onde
óxima oportunidade?
VP – Minhas melhores viagens foram para a Ilha Grande no Rio de Janeiro, em Maresias e Itamambuca no litoral de São Paulo e nas praias de Santa Catarina. A trip dos meus sonhos é viajar pela costa leste da Austrália.
RI! - Quem são os bodyboarders que te inspiram ?
VP – No feminino, Francis Aoto, Perola de Souza e Neymara Carvalho. No masculino, Sanderson Trevisan, Alex Antum, Guilherme Tâmega e Mike Stewart.
RI! - Como está o Bodyboarding no Sul do país atualmente?
VP – Está bem atualizado com o cenário mundial, porque tem vários atletas profissionais disputando e conseguindo bons resultados fora do país, com algum destaque na mídia. Isso é muito bom porque eleva o nível do esporte e traz incentivo e inspiração para quem está correndo atrás.
Assim como rola em todo Brasil, sofremos com a falta de patrocínio e verbas, mas aqui o pessoal leva o bodyboard a sério e os campeonatos são muito bem organizados.
RI! - Quais são seus hobbies ?
VP – Gosto de viajar de barco para alto mar, pescar, praticar wakeboard, mergulhar e acampar. Sou ligada na cultura underground e alternativa, seja através de quadrinhos, literatura, música ou baladas. Também curto internet e programação web.
RI! - Faça 3 desejos em 5 segundos!
VP – Um patrocinador, morar numa praia com altas ondas e muita saúde para eu continuar surfando sempre.
RI! - Mande uma mensagem para a galera!
VP – O crescimento do bodyboard depende de cada um de nós. E é a partir de pequenos gestos que iremos conquistar o nosso espaço tão merecido. Quando entrar numa loja de surf, pergunte se eles tem marcas de bodyboard. Peça, exija e compre roupas de bodyboard. Ligue e mande e-mails para os programas de TV e revistas de esportes radicais pedindo matérias sobre o bodyboard. A mídia precisa enxergar o grande mercado que é o bodyboard e nós precisamos mostrar isso a eles.
Se você compete, incentive os freesurfers a participar dos campeonatos.
Se você é freesurfer, venha participar dos campeonatos de bodyboard. Eu evoluí mais em 2 anos e meio de competição do que nos 17 primeiros anos em que eu só fazia freesurf. A gente aprende apenas praticando, mas aprende muito mais competindo.
Considerações e agrdecimentos:
Agradeço à FPB, à FECAB e à Perola de Souza por organizarem os campeonatos que me trouxeram tantos bons momentos. E um bom momento para mim não é só quando eu ganho. É uma nova amizade, uma bela paisagem, uma queda num pico diferente, ver altas manobras rolando... São recordações que guardarei para sempre com muito carinho.
Agradeço também à minha família por todo apoio moral e financeiro que eles sempre me deram. Sem isso, nada teria sido possível. |