1-Você é conhecida mundialmente por ser uma das principais atletas mundiais que ajudaram a construir o esporte, marcando a principal geração e fazendo história, dando um verdadeiro exemplo de profissionalismo dentro e fora d`água. Como você vê a atual situação do bodyboard?
Eu vejo tudo como uma lição. Nós estivemos lá no topo e agora não. Eu acredito 100% que temos tudo para virar um esporte independente, se a União de todas as meninas for feita pela razão correta, que é o amor ao nosso esporte. O bodyboard como uma indústria independente só vai trazer fatores positivos. Assim teremos dinheiro gerando dentro do esporte e sendo re-direcionado ao ele mesmo. E isso seria ideal ser feito por nós, as líderes do esporte, apoiando a nova geração.
2-O bodyboard feminino brasileiro sempre teve hegemonia, desde o lançamento do tour. Esse ano o título ficou na mão de uma australiana, o que você acha que falta para retornarmos ao topo novamente?
Eu acho que o Brasil tem e sempre terá chances muito maiores do que qualquer outro pais de continuar essa liderança, e vai acontecer de novo, não se preocupem com isso. Mas pra o esporte crescer mundialmente o fato de uma australiana ganhar tem que ser visto como um fator positivo pro crescimento do esporte. Essa hegemonia foi boa para a indústria brasileira na época, nem é mais agora pois o surf feminino está tomando conta, por ter mais "dindim" no esporte. No momento fortalecer a nossa indústria é que vai trazer mais meninas ao esporte. Se não, quem vai levar a sério? Vai chegar um momento na vida de qualquer bodyboarder que elas tem que visar o futuro próprio e acabam largando o esporte para estudar, trabalhar ou fazer outro esporte que dê mais futuro.
Voando alto nas ondas do quintal de casa
3- Você acha que as meninas brasileiras deveriam ter mais incentivo e apoio para treinar em ondas de qualidade ao redor do mundo? Na sua opinião o que falta para isso?
Isso é um ponto fundamental na hora de um campeonato como Pipeline,ou surf trip para magazine ou patrocinadores. Mas no geral os campenatos são em ondas de má qualidade, então depende. E como falei antes, tudo depende de formamos a nossa indústria independente, gerar dinheiro, apoiar a nova geração, e assim mandar essas meninas pra surfar em ondas de qualidade.
4-Você mora na Australia há um bom tempo. Por quê escolheu aqui para morar? Do que sente mais falta no Brasil?
Eu me apaixonei pela Austrália quando vim em 1989. Eu sabia que era o lugar onde eu iria morar. E as coisas aconteceram naturalmente, conhecendo o meu ex- marido, e tendo a minha filha na Australia.
Eu sinto muita falta da miha família, amigos, e lógico, do nosso feijão com arroz. A vibe do Brasil, os visuais, não exite em lugar nenhum, mas o "life style" do Brasil eu não consigo me ajustar mais. É muita loucura.
Voltando do el rollo
5 – O bodyboard na AUS é mais reconhecido que no Brasil? Como você compara a estrutura do esporte, assim como a organização, nos dois países?
Depende, é conhecido entre os homens, o lado das mulheres finalmente está comecando a acontecer e ter mais respeito. Eu sofri aqui pra ter respeito dentro d’agua. Pois eu lhe digo, BB aqui na Austrália e visto como esporte de verão, não um esporte sério. Nunca foi como o BB feminino no Brasil, no passado. Principalmente pela Televisão e pela indústria em geral. Só que o masculino é mais conhecido, por eles terem totalmente focado neles em primeiro lugar, pelas revistas e pela indústria do Bodyboard.
6- Você esta afastada do circuito mundial há 3 anos, pelo fato de ser mãe pela segunda vez e por estar abrindo um bunisses proprio. Isso toma uma boa parte do seu tempo. Voce pretende voltar
para o tour em breve?
É, ser mae de novo não é fácil. A minha filha Pascallie tem 16 meses e não pára. Achar tempo para fazer tudo tem sido muita pressão. Não é fácil não... Querer voltar eu quero, competição está no sangue. Mas se eu não tiver o apoio financeiro para fazer não vai rolar, e agora eu tenho outras prioridades. Tem que compensar. E sinceramente, as regras do tour eu nao concordo muito. Esses campeonatos regionais de US$5.000.00 dando 500 pontos para o primeiro eu não concordo. Na minha opinião tem que ser qualidade, não quantidade. As meninas estão gastando a maior grana indo para esses campeonatos quando poderiam estar investindo em fazer viagens para produzir matérias para revistas e vídeos de bodyboard feminino, em ondas de qualidade. E ir a eventos que valham a pena, mesmo que seja um por ano.
Também foi campeã brasileira (90) e carioca (86)
7- Fale como será a sua nova marca do bodyboard e sua linha de swimwear direcionada para as mulheres. Existe alguma novidade ou algum produto exclusivo que você mesma tenha criado?
Eu resolvi criar a Uniq qdo eu vi que realmente não dava mais para ficar atrás de patrocínio. Logo depois de ser campeã mundial em 2002 eu contactei todas a companhias de bodyboard imagináveis, e não veio nada sério de ninguém.
As pranchinhas estão sendo feitas aqui na Austrália pela Unknown Bodyboards e agora também na Indonesia, pelo Mez, que faz a linha Mike Stweart e NMD. Os modelos Steph – pro e Fun são baseadas em shapes que usei durante os anos, mas aperfeiçoadas para um resultado final excelente. Eu acabei de finalizar o shape perfeito do modelo Steph-pro, e está demais. A pranchina está perefeita pra competição, todos os tipos de ondas. A Lei- model é mais direcionada a tubo, extreme waves, também baseda em shapes usados pela Leila Ali durante os anos. E temos a Fun, que é mais larga para iniciantes, que precisam de mais estabilidade no começo. Estamos começando no mercado Japones, que e um passo muito positivo pra Uniq.
A linha STEPH de swimwear também foi desenhada baseada nos anos de experiencia que tive até chegar a conclusão do que era mais confortável, e ainda feminino e sexy. Eu estou fazendo no Brasil pois a Lycra brasileira nao há igual. Ainda não tenho ninguem para distrubir as marcas no Brasil. Estou trabalhando em cima disso. Se alguém tiver interesse me avisem. Pois gostaria muito de entrar no mercado Brasileiro para dar mais um apoio e mais um chan ao esporte, e se Deus quiser poder investir no esporte no futuro proximo.
Steph entre as filhotas
8- Deixe um recado para a nova geracao e para todos que admiram o seu trabalho.
Lembrem que apoiar o BB e as pessoas que estão lutando por amor ao esporte em primeiro lugar, não para somente fazer dinheiro, é o caminho certo para ajudar o BB a ficar mais forte do que nunca... E no momento é necessário para manter o nosso esporte vivo. Lembrem disso na proxima vez que vocês forem comprar um maiô, prancha, wetsuit o que for...
Continuem arrepiando e boas ondas e beijos pra todos!
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