Conhecendo o Panamá
Por: Roberta Milazzo -
19/08/2007

Há algum tempo eu não viajava para pegar onda, ainda mais para o exterior, pois tenho que conciliar férias do trabalho e faculdade e também escolher um lugar onde tenham boas ondas em Julho. Optei pelo Panamá, mais precisamente Santa Catalina, que é uma direita perfeita, longa, que quebra em fundo de pedras vulcânicas e de altíssimo nível.

Depois de checar as informações do lugar com alguns amigos e tudo acertado, embarquei para a Cidade do Panamá e sete horas de vôo depois cheguei a meu destino. Foi só colocar o pé fora do aeroporto para sentir aquele ar quente, clima mais que tropical de um lindo dia de sol.

D
epois das sete horas de vôo, são mais seis horas de carro (são 400 km!) até o vilarejo de Santa Catalina, que se resume a uma rua, quase sem movimento, com pessoas transitando como se a estrada fosse calçada, cachorros deitados no asfalto, um telefone público e uma vendinha... e só!

Mas eu já sabia que existiam alguns restaurantes bem legais, freqüentados pelos surfistas e turistas estrangeiros. Sem dúvida a badalação era na pizzaria dos italianos, point não só dos “gringos” mas também da galera local. Toda noite as pessoas iam saborear a deliciosa pizza, tomar uma cerveja, falar das ondas do dia e também ver as fotos tiradas pelo fotografo local – Richard - um americano radicado em Catalina há alguns anos e que faz fotos da galera pegando onda.


Roberta na pizzaria onde todo mundo pega onda

Aliás, uma coisa engraçada, é que ao se chegar no restaurante, você se depara com o pizzaiolo é lembra que foi ele que pegou aquela onda alucinante, já o garçom é aquele cara que tirou um tubinho maneiro e o ajudante é um dos moleques locais que arrebentam.

Enfim, só cheguei na pousada no final do dia e minha opção de hospedagem não poderia ter sido melhor. A Pousada Surfer´s Paradise do Brasileiro Ítalo, que já está estabelecido no Panamá há muitos anos, é a mais bem localizada de lá, fica de frente para o pico. É só descer uma escadinha que você já está com pé na água, ou melhor, na pedra, sem falar no visual sensacional do lugar.


Visual da Pousada Surfer´s Paradise

Por sorte cheguei junto com o swell! Catalina estava flat há quase duas semanas e se não tem onda, não há muito o que fazer por ali.

No início as ondas estavam pequenas, algo em torno de meio metrão, mas já dava para sentir o potencial da onda, e também das pedras!! Mas o mar foi subindo, subindo e o maior dia chegou a 6 – 8 pés.


Roberta não perdeu tempo e foi conferir o potencial do pico

Infelizmente, junto com as ondas vem o crowd... Como o pico é point break fica difícil e a galera local arrebenta e monopoliza o pico, então você tem que esperar bastante para conseguir pegar uma onda. Teve um dia que eu contei 35 pessoas dentro d´água!!

Mas vale a pena ver aquelas ondas perfeitas, uma direita como eu nunca vi, parece que ela faz uma “esquina”, e vai abrindo, abrindo e você vai embora. Quando a onda finalmente acaba, você se dá conta que foi parar muito longe, braços e pernas já não respondem mais, mas você ignora tudo e volta pegar outra onda, e outra e mais outra.



Em Catalina, só se surfa com a maré subindo, maré alta e logo depois que ela começa a vazar, pois a onda quebra na bancada de pedras e conforme a maré baixa a pedra fica cada vez mais exposta e se não tomar cuidado ela pode aparecer na sua frente quando você estiver na onda!! Por esta razão, eu ficava dentro d´água de três até cinco horas, já que você tem que aproveitar o máximo pois só se pega onda uma vez por dia em função da maré e depois não tem mais!

Quando o surf acaba, é bem verdade que não há muito que fazer. Mas o lugar é relax total e itens obrigatórios nesta viagem são livros, revistas, mp3 player, que ajudam a passar o tempo enquanto a hora do surf não vem ou já passou. Um passeio legal é uma caminhada pela praia de areias negras“ El Estero”, um beach break que fica ao lado de Santa Catalina.


As direitas são extensas e muito manobráveis

Mesmo com o swell diminuindo, continuava a dar altas ondas e curiosamente o crowd também deu uma melhorada. Tive o privilégio de cair com seis pessoas no pico e ondas em torno de 1 metrinho. Depois descobri que havia uma festa na província mais próxima e todo o povoado de Santa Catalina foi para lá, inclusive os surfistas! Que sorte!

Meu vôo de volta para o Brasil saía de manhã e por isto eu teria que dormir uma noite na Cidade do Panamá. Como as ondas foram acabando, resolvi conhecer a cidade, fazer umas compras e lógico, ver uma das grandes maravilhas da engenharia – o Canal do Panamá.


Visita ao Canal do Panamá

A cidade não é muito grande, os arranha-céus de vidro dominam a paisagem e o trânsito é um pouco confuso e seus ônibus locais - “diablos rojos” - com suas pinturas incríveis, são uns dos grandes responsáveis pelo tumulto, mas são lindos! Tem também a parte antiga da cidade chamada de “Casco Viejo” com seus casarões coloniais, ruínas e igrejas que valem a pena uma visita.


Os ônibus locais, conhecidos como "diablos rojos"

Infelizmente, o que é bom dura pouco e chegou a hora de voltar... Mas na lembrança ficam aquelas ondas incríveis e aquele visual fantástico do deck com as ondas de Santa Catalina ao fundo e a vontade de voltar muitas e muitas vezes!